melomanias, etc.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Copy > Paste #39

"I had become comfortable with his cynicism, and in any case, we're all cynical now, although it's only this evening that I recognize this properly. Cynicism is our shared common language, the Esperanto that actually caught on, and though I'm not fluent in it - I like too many things and I am not envious of enough people - I know enough to get by. And in any case it is not possible to avoid cynicism and the sneer completely."

By Nick Hornby in How To Be Good

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Mais uma para o Top

Já utilizei algures neste blog uma expressão referente ao momento da minha vida em que me senti mais nerd. Como este tipo de momentos tende a multiplicar-se e eu não gosto de me sentir a repetir formulações, vou limitar-me a constituir uma espécie de Top Ten dos meus momentos de nerd, um de cada vez.

O desta vez: no outro dia dei por mim a colocar tags de html numa página de Word para os itálicos e negritos. Fiquei com a sensação de que a qualquer momento posso começar a utilizá-los também no telemóvel e caderno de notas... Creepy.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Copy > Paste #38

"I'm a good person. In most ways. But I'm beginning to think that being a good person in most ways doesn't count for anything very much if you're a bad person in one way."

By Nick Hornby in How To Be Good

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Relativismo social

Ou: suspiro existencial disfarçado de análise psico-sociológica.

Não bebo álcool, mas o meu grau de sobriedade é variável: quando os demais estão sóbrios, eu estou sóbria; quando os demais estão ébrios, eu estou demasiado sóbria.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Na mouche

Or: another post on the nature of human relationships.

"You see, what I really want, and what I'm getting with Stephen, is the opportunity to rebuild myself from scratch. David's picture of me is complete now, and I'm pretty sure neither of us likes it much; I want to rip the page out and start again on a fresh sheet, just like I used to do when I was a kid and I had messed a drawing up. It doesn't even matter who the fresh sheet is, so it's beside the point whether I like Stephen, or whether he knows what to do with me in bed, or anything like that. I just want his rapt attention when I tell him that my favourite book is Middlemarch, and I just want that feeling, the feeling I get with him, of having not gone wrong yet."

by Nick Hornby in How To Be Good
(in case you're wandering, yes, the title of the book is ironic. if, on the contrary, you're certain of any thing, just move on)

Insecurity. Another word for the essence of human relations, some would say. I'm not so certain, yet - as I'm not on most things - but I accept its tremendous importance when we're talking about interaction between two or several individuals. At least we need to be secure of one thing: that we are accepted by the ones we need to get that acceptance from. In other words, and as it can be drawn by the example quoted above, we need to have our affection secured. I don't mean as in a bank-bank, but rather a heart-bank: a place where it will be taken care of, to grow or to face the consequences of ill-treatment and die. And death here is usually merely metaphorical, because what takes place is more of a replacement.

In the book where the quote belongs, a woman realizes her husband doesn't see her the way she needs. He sees her too well or too badly - which sometimes is just about the same. He sees a complete picture of her that took years of interaction to be sketched and now she is convinced he is disappointed. She is insecure about his love, about his hability to accept her faults, but mostly about her own ability to accept the fact that he doesn't see her in the part she needs to play for him.

She is insecure about his love towards her but also about her capability of being thoroughly-known and appreciated simultaneously. And that is one of the things that more frequently puts end to a relationship, be it a romantic bond or a friendship. Sometimes it's easier to start from scratch with another person than to try to get it going with the current one; other times it's simply impossible to get along, and that's when insecurity gives way to certainty. It's not just that we feel 'something'; the other person has made it clear that we aren't good company.

In the end this means that when we reconcile with someone, we're also reconciling with ourselves (while we rebuild our self-perception) and that when we chose to meet someone new, we're also in need not only to let go of the previous person, but to let go of our current self-image. To meet someone new is also a fresh opportunity to play the part we want for ourselves in life.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Karaoke plays

I sing so often so I don't talk to myself so much.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Copy > Paste #37

"I dream, therefore I am."
by August Strindberg

terça-feira, dezembro 11, 2007

Em defesa do consumidor

A emergência do capitalismo tem tornado os sindicatos visões cada vez mais anacrónicas, tanto pelo tipo de discurso utilizado, como pelos objectivos fechados, mas sobretudo pelo pilar ideológico que os estrutura. No entanto, esta mudança de paradigma não resulta necessariamente na extinção do "sindicato", enquanto instrumento útil para a defesa dos direitos de determinado grupo e/ ou indivíduo.

Aliás, o que se tem verificado é uma transferência desta função para outro sector. O actor principal do mundo de hoje já não é o trabalhador, mas antes aquele que motiva todo o processo económico: o consumidor. Destronámos o efectivador para coroar o motivador, e em paralelo a luta do consumidor susbstitui-se progressivamente à luta do trabalhador.

O que são as associações de defesa do consumidor senão uma espécie de sindicatos, nos quais a filiação foi trocada por um recibo? A linguagem é outra, tal como os objectivos, já que o paradigma, também ele, mudou. No novo contexto do consumo, não somos camaradas, somos consumidores, antes das reivindicações temos direitos consagrados pela lei, o nosso contrato é um recibo de compra e as nossas greves, os boicotes às empresas e produtos.

Um sintoma crescente desta mudança está no aumento das queixas por parte do consumidor, que recorre aos livros de reclamações, às associações de defesa do consumidor e aos tribunais, se necessário. Os reflexos na lei são claros, com o aumento na validade das garantias, o reforço dos direitos associados ao consumo, com a introdução de "períodos de avaliação" e da possibilidade de devolução do produto.

E até aqui mais uma semelhança: há espaço para abusos do consumidor, tal como já houve para o trabalhador. Porque à lei não se permite grande dose de subjectividade - e ainda bem.

E com isto se confirma: somos uma espécie dada à reciclagem, quer de géneros, quer de conceitos.

domingo, dezembro 09, 2007

A idade da inocência

Uma ida ao psicanalista termina frequentemente com um pater (ou mater) culpatus - perdoem-me já os puristas se houver aqui alguma incorrecção linguística, mas há riscos que é necessário correr pela sobrevivência do estilo. Adiante: pergunto-me se algum analista da mente já tentou explorar o imaginário infantil, no sentido de descodificar aquilo que as personagens 'adequadas' ao público infanto-juvenil lhes transmitem.

Deixo aqui algumas sugestões: as famílias Disney, compostas de tios e sobrinhos - que se comportam como se fossem pais e filhos; o Pai Natal e a Mãe Natal - o Pai é um velho simpático e anafado, de barba branca e sorriso cândido; já a Mãe é invariavelmente mais jovem (muito), veste mini-saia e exibe um decote profundo, enquanto lança olhares lascivos... and so on. Nem precisamos de chegar ao anime japonês.

E digam-me: é esta a idade da inocência?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

A cura estética

Depois de conversa que versou novamente por questões de estética e pelas motivações que levam determinado sexo a procurar determinadas características no outro, entro no prédio e abro a portinhola da caixa de correio. Lá dentro, um único folheto. Um desdobrável a anunciar um consultório médico. Desde que me lembro, os dentistas eram aqueles senhores (e senhoras, para alimentar os parêntesis do politicamente correcto) que limpavam cáries, tapavam buracos e arrancavam dentes. O folheto que seguro na mão diz-me que não. Passo a citar:

"Estética Dentária. A sua beleza nas mãos dos melhores médicos dentistas."

A maioria das pessoas - assumo eu - traduziria daqui dentes alinhados (depois de meses, quando não anos, forçados por arames e parafusos, e já borrei a pintura) ou brancos como "nenhum dente natural o é" (apresso-me a acrescentar, aspas minhas).

Mas eu? Não. A primeira coisa que me vem à cabeça são pessoas a arrancarem dentes saudáveis porque os implantes são mais bonitos. Se a perfeição estética chegou a traduzir saúde e vantagem genética (e reprodutiva, como versava a "tal" conversa anterior ao meu monólogo com o folheto) agora soa-me redundante, um grande pleonasmo. Vazia, indício e fim em si mesma. A tal história da arte pela arte? A perda de função pela renúncia à mesma? Sim, a nossa história colectiva é cíclica, apenas com pequenos twists. Ou como podemos não estar safos de um 1984 apesar de já estarmos prestes a esgotar 2007.


PS: sei que devia começar a colocar avisos sobre a mistura de conceitos ou optar por acrescentar notas explicativas, mas a verdade é que gosto de escrever para o umbigo nos espaços adequados. Isso, ou tenho esperança de descobrir as poucas pessoas que pensam como eu. Parece-me haver possibilidade de diálogo. Espero que não seja o cotão lá de baixo a responder.

domingo, dezembro 02, 2007

Sex

So what?

sábado, dezembro 01, 2007

Tell me what you listen to..

a says: "I've been listening to Damien Rice"
b comments: "aah, you like to hear men bleeding"

E tu, já experimentaste?

Sujeito a faz anos hoje. Sujeito b pergunta-lhe: "então, como te sentes agora, com 25 anos?". Sujeito a responde: "fantástica, esta coisa dos 25 anos. Soubesse eu e já tinha experimentado antes".